Primeiramente devo dizer que eu não gostei desse livro. Eu entendo que é o primeiro livro da autora e que escrever um livro não é nada fácil, porém fiz a minha avaliação como se estivesse lendo um exemplar de qualquer outro autor, seja ele internacional ou nacional. A minha opinião em nada se refere a pessoa da Bel, mas o livro que li e que, infelizmente, não gostei.
13 segundos é o primeiro livro solo escrito pela Bel Rodrigues e lançado aqui no Brasil em 2018 pela Galera Record. A Bel é uma youtuber que fala sobre livros e assuntos relacionados a criminologia na internet.
SOBRE O LIVRO
Lola acaba de terminar um namoro. Ela sabe que a decisão foi o melhor para os dois, mas aquela saudade de alguém que estava sempre presente é inevitável. Agora, tudo que Lola quer é deixar isso para trás e focar em pôr a vida em ordem novamente, se redescobrindo após um relacionamento que exigiu tanto dela e reavaliando suas prioridades: estudo, amigos, família e o canto, sua maior paixão.
Com o corte do coral das atividades extras, a garota finalmente decide ouvir seus amigos e resolve criar um canal no YouTube para postar alguns covers, nada mais do que um hobby para substituir seu tão amado coral. Focada em não se relacionar seriamente e aproveitar as festas do último ano, tudo parece se alinhar quando Lola conhece John, um intercambista que busca exatamente o mesmo que ela: se divertir e criar memórias inesquecíveis. Quanto mais as coisas mudam, mais a garota percebe como perdera seu tempo tentando salvar um relacionamento que já estava naufragado, e como agora ela se sentia genuinamente feliz com as pessoas incríveis à volta e seu grande hobby se tornando cada vez mais influente. Entre conselhos sinceros, noites quentes e provas do Ensino Médio, a única coisa que Lola não poderia prever era o quão rápido tudo poderia desmoronar. Em treze segundos, especificamente.
O QUE EU ACHEI
Eu realmente esperava gostar desse livro.
Isso não se devia apenas ao fato de eu conhecer o trabalho da Bel no Youtube, mas também por ter acompanhado a divulgação do livro dela e ficado com vontade de ler. Somado a isso tinha o fato de eu ter lido muitas resenhas positivas sobre esse livro. Pra falar a verdade, até o momento em que eu iniciei a leitura, só tinha gente falando bem desse livro na internet. No final das contas, o que encontrei foi um livro com uma temática super importante, porém com uma execução que deixou muito a desejar.
Pra começar, há muitos termos usados na língua falada que, quando usados no texto corrido, não soam muito bem, principalmente ao serem utilizados em demasia. Como por exemplo, AFF ou Ridícula. Eu entendo que talvez a intenção da autora foi trazer uma informalidade ao texto, mas isso não teve um efeito positivo para mim, tampouco tornou o texto mais real. Já li outros livros que trazem linguagem informal, porém isso foi usado como um artifício complementar, se integrando ao texto ao ponto de não chamar a atenção e causar incômodo.
Outro ponto que nesse livro me incomodou foi o uso excessivo de CAPS LOCK (ou LETRAS EM CAIXA ALTA) em diversos momentos. Assim como o caso das gírias e informalidades, também já li livros com esse recurso, porém nesse livro eles não fizeram sentido com o que o personagem vinha falando. Talvez quando a autora estava escrevendo, aquela frase super cabia ali, escrita daquele jeitinho, mas para a leitora (eu), soou como se os personagens estivessem gritando fora de sentido.
O excesso de uso de verbos dicendi (ele disse, ela exclamou, ele perguntou) acabaram criando um efeito de quebra de ritmo da fala dos personagens, principalmente por terem sido usados várias vezes. Não tenho problema nenhum com esse recurso, porém acho que ele deve ser usado como um complemento e quando necessário. Aqui causou o efeito contrário e, a cada frase que eu lia e o encontrava lá, me incomodava bastante. Há também parágrafos muito longos que poderiam ser divididos em dois, tornando o texto mais fluído e menos cansativo.
Há muitos personagens em 13 segundos formando o círculo de amizade da personagem principal, porém a voz deles é extremamente similar - incluindo a voz da personagem principal. E quando eu digo muito similar, não estou sendo exagerada: em vários momentos, caso não houvesse a identificação de quem falou, poderia ser qualquer um! O problema não foi a quantidade, mas sim a carência de uma construção mais aprofundada dos personagens. Nas conversas por aplicativos essa sensação consegue ser ainda mais intensa.
Para quem ainda não sabe sobre o que fala esse livro (não vou abordar para não dar spoiler), devo mencionar que apenas nas páginas finais nos deparamos com o assunto principal - o que é um pouco decepcionante, pois dava para abordar muitos pontos sobre tal assunto que é tão relevante, ainda mais hoje em dia. Acabou que o livro pendeu tanto para o romance que, quando o assunto principal do livro acontece, tal ponto é tratado de forma secundária e muito rapidamente. O final, que é claro que não vou comentar aqui, é bem cinematográfico. Eu adoraria ver uma abordagem mais realista sobre como o fato daquilo ter afetado a personagem principal ao invés de ler uma solução mais fácil e fantasiosa.
O relacionamento amoroso no livro que toma a maior parte dessa história, para mim, deixa a desejar. O fato é que o mocinho foi feito para ser aquele personagem gostável. Ele é bonito, amigável, simpático, educado, sem defeitos, etc e etc, mas para mim isso não é suficiente para eu gostar de um personagem. Prefiro alguém que demonstre que ele é todas essas coisas de uma forma natural, do que eu ter a sensação de que está sendo descrito e criado para que eu goste dele - o que acaba causando o efeito contrário. A autora teve espaço para criar uma base sólida para o relacionamento de ambos, porém o modo como as coisas desenvolveram pendeu para o artificial. O resultado disso foi que a minha reação foi totalmente indiferente nesse livro; não me importei com o relacionamento deles e tampouco torci.
No final das contas, meu saldo com essa leitura foi muito mais negativo do que positivo. E você, já leu 13 segundos? O que achou? Conta aí.
INFORMAÇÕES:
Livro: 13 segundos
Autora: Bel Rodrigues
Páginas: 304
Ano de Publicação: 2018
Avaliação: 2 estrelas de 5 (Regular)
Links para compra: Amazon | Americanas | Submarino
"As pessoas associam que viver intensamente era sinônimo de encarar aventuras e fazer o que tem vontade, mas, para mim, viver intensamente era aprender aos poucos e com coragem a se amar em um mundo que fazia questão que nos odiássemos."
13 segundos é o primeiro livro solo escrito pela Bel Rodrigues e lançado aqui no Brasil em 2018 pela Galera Record. A Bel é uma youtuber que fala sobre livros e assuntos relacionados a criminologia na internet.
SOBRE O LIVRO
Lola acaba de terminar um namoro. Ela sabe que a decisão foi o melhor para os dois, mas aquela saudade de alguém que estava sempre presente é inevitável. Agora, tudo que Lola quer é deixar isso para trás e focar em pôr a vida em ordem novamente, se redescobrindo após um relacionamento que exigiu tanto dela e reavaliando suas prioridades: estudo, amigos, família e o canto, sua maior paixão.
Com o corte do coral das atividades extras, a garota finalmente decide ouvir seus amigos e resolve criar um canal no YouTube para postar alguns covers, nada mais do que um hobby para substituir seu tão amado coral. Focada em não se relacionar seriamente e aproveitar as festas do último ano, tudo parece se alinhar quando Lola conhece John, um intercambista que busca exatamente o mesmo que ela: se divertir e criar memórias inesquecíveis. Quanto mais as coisas mudam, mais a garota percebe como perdera seu tempo tentando salvar um relacionamento que já estava naufragado, e como agora ela se sentia genuinamente feliz com as pessoas incríveis à volta e seu grande hobby se tornando cada vez mais influente. Entre conselhos sinceros, noites quentes e provas do Ensino Médio, a única coisa que Lola não poderia prever era o quão rápido tudo poderia desmoronar. Em treze segundos, especificamente.
O QUE EU ACHEI
Eu realmente esperava gostar desse livro.
Isso não se devia apenas ao fato de eu conhecer o trabalho da Bel no Youtube, mas também por ter acompanhado a divulgação do livro dela e ficado com vontade de ler. Somado a isso tinha o fato de eu ter lido muitas resenhas positivas sobre esse livro. Pra falar a verdade, até o momento em que eu iniciei a leitura, só tinha gente falando bem desse livro na internet. No final das contas, o que encontrei foi um livro com uma temática super importante, porém com uma execução que deixou muito a desejar.
Pra começar, há muitos termos usados na língua falada que, quando usados no texto corrido, não soam muito bem, principalmente ao serem utilizados em demasia. Como por exemplo, AFF ou Ridícula. Eu entendo que talvez a intenção da autora foi trazer uma informalidade ao texto, mas isso não teve um efeito positivo para mim, tampouco tornou o texto mais real. Já li outros livros que trazem linguagem informal, porém isso foi usado como um artifício complementar, se integrando ao texto ao ponto de não chamar a atenção e causar incômodo.
Outro ponto que nesse livro me incomodou foi o uso excessivo de CAPS LOCK (ou LETRAS EM CAIXA ALTA) em diversos momentos. Assim como o caso das gírias e informalidades, também já li livros com esse recurso, porém nesse livro eles não fizeram sentido com o que o personagem vinha falando. Talvez quando a autora estava escrevendo, aquela frase super cabia ali, escrita daquele jeitinho, mas para a leitora (eu), soou como se os personagens estivessem gritando fora de sentido.
O excesso de uso de verbos dicendi (ele disse, ela exclamou, ele perguntou) acabaram criando um efeito de quebra de ritmo da fala dos personagens, principalmente por terem sido usados várias vezes. Não tenho problema nenhum com esse recurso, porém acho que ele deve ser usado como um complemento e quando necessário. Aqui causou o efeito contrário e, a cada frase que eu lia e o encontrava lá, me incomodava bastante. Há também parágrafos muito longos que poderiam ser divididos em dois, tornando o texto mais fluído e menos cansativo.
Gosto bastante quando o autor descreve a dinâmica familiar dos personagens e cria diálogos que nos ajudam a conhecer melhor os integrantes da família. Nesse livro isso acontece, mas nas falas da irmã da personagem principal (que no caso é uma criança), não senti naturalidade; me pareceu que a autora queria colocar certos diálogos sem trabalhá-los de modo que soassem como uma conversa comum/natural. Entretanto, vale salientar que tais diálogos que envolvem essa criança são muito importantes e estão lá para que o leitor reflita sobre coisas aparentemente corriqueiras que estamos acostumados a ouvir, mas que devem ser severamente questionadas. Nesse ponto, só acho que se tivessem sido trabalhados um pouco mais teriam ficado perfeitos nesse livro!
Há muitos personagens em 13 segundos formando o círculo de amizade da personagem principal, porém a voz deles é extremamente similar - incluindo a voz da personagem principal. E quando eu digo muito similar, não estou sendo exagerada: em vários momentos, caso não houvesse a identificação de quem falou, poderia ser qualquer um! O problema não foi a quantidade, mas sim a carência de uma construção mais aprofundada dos personagens. Nas conversas por aplicativos essa sensação consegue ser ainda mais intensa.
O relacionamento amoroso no livro que toma a maior parte dessa história, para mim, deixa a desejar. O fato é que o mocinho foi feito para ser aquele personagem gostável. Ele é bonito, amigável, simpático, educado, sem defeitos, etc e etc, mas para mim isso não é suficiente para eu gostar de um personagem. Prefiro alguém que demonstre que ele é todas essas coisas de uma forma natural, do que eu ter a sensação de que está sendo descrito e criado para que eu goste dele - o que acaba causando o efeito contrário. A autora teve espaço para criar uma base sólida para o relacionamento de ambos, porém o modo como as coisas desenvolveram pendeu para o artificial. O resultado disso foi que a minha reação foi totalmente indiferente nesse livro; não me importei com o relacionamento deles e tampouco torci.
INFORMAÇÕES:
Livro: 13 segundos
Autora: Bel Rodrigues
Páginas: 304
Ano de Publicação: 2018
Avaliação: 2 estrelas de 5 (Regular)
Links para compra: Amazon | Americanas | Submarino
"As pessoas associam que viver intensamente era sinônimo de encarar aventuras e fazer o que tem vontade, mas, para mim, viver intensamente era aprender aos poucos e com coragem a se amar em um mundo que fazia questão que nos odiássemos."















