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30 maio 2018

Um jovem adulto misterioso e divertido | Um de nós está mentindo - Karen M. McManus

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Quando solicitei "Um de nós está mentindo" para a Galera Record, eu ainda não havia lido nenhuma resenha desse livro, apesar de ter visto muita gente comentando sobre ele nas redes sociais. A capa e as informações usadas na divulgação do livro já davam claros sinais de que encontraria um livro com investigações. E apesar de esse tipo de história não ser muito o meu forte, a ideia de ler um jovem-adulto cujas pistas poderiam ser deduzidas durante a leitura para desvendar todo o mistério parecia bem diferente e me deixou bem empolgada!



Para quem ainda não conhece muito sobre esse livro, "Um de nós está mentindo" se inicia quando, numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras; Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera; Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas; Cooper, o atleta, astro do time de beisebol; e Simon, o pária, criador do mais famoso aplicativo de fofocas da escola.

Só que Simon não consegue ir embora, pois antes do final da detenção, ele está morto de forma não-acidental. Pra completar, no dia seguinte, Simon planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que leva os quatro adolescentes para o topo da lista de suspeitos de seu assassinato no mesmo instante.

Para quem espera um grande mistério nessa leitura, talvez fique ligeiramente decepcionado. Não que o livro não tenha isso, mas eu prefiro dizer que você não vai encontrar muita coisa do gênero do começo do livro até um pouco mais do meio da história. Nessa primeira "parte", digamos assim, a autora se preocupa mais em apresentar os personagens ao leitor e o panorama em que vivem. Isso não é chato ou super introdutório; até porque, a narrativa da autora ter uma fluidez bem bacana, pricipalmente por conta dos ganchos que ela faz nos finais de capítulo, sempre com um acontecimento marcante ou igualmente interessante para o leitor continuar a leitura. O livro também não conta com descrições desnecessárias, e possui personagens mais interessantes do que podem parecem num primeiro momento.

Se você não leu o livro, há grandes chances de você subestimar os personagens principais; afinal, eles são estereotipados e podem parecer superficiais (a popular, a nerd, o bad boy, o atleta astro do time). Mas, sorte a nossa que esse não é o caso! Conforme avançamos na leitura, percebemos outras nuances dos personagens e nos damos conta de que eles não são rasos e previsíveis. Muito pelo contrário: há um mistério envolvendo a vida de cada um deles que é igualmente interessante! O legal disso tudo é que, como o livro é narrado em primeira pessoa e intercalado entre os quatro personagens, não havia um que era chato fazer a leitura. Eu tive os meus preferidos, é claro, contudo os outros não foram detestáveis a ponto de eu desejar pular a parte deles.

Um problema sobre essa divisão de narrativa é que em alguns momentos achei a voz dos personagens bem parecida. Nesses momentos, tive que retornar páginas só para ter certeza de quem estava narrando aquela parte mesmo. Eu sei que são muitos personagens, mas também que isso é um pouco incômodo porque, com exceção de quando os personagens estavam em seu ambiente familiar (que aí dava para sacar já que cada um tem um estilo de vida completamente diferente do outro), quando eles se encontravam ou tinham algum tipo de interação entre si, eu me perdia facilmente em saber quem estava narrando aquela parte em específico. Normalmente isso acontecia quando eu achava que a personagem que estava narrando era uma mulher (por exemplo), e de repente começava a falar usando palavras no masculino.

Apesar de o livro não prometer falar sobre temas mais delicados e profundos (como bullying, relacionamento abusivo, etc), a autora nos presenteia com isso nesse livro! É claro que a abordagem dela não é tão incisiva, uma vez que o livro pende para uma narrativa mais leve. Mas, eu como entusiasta de livros nesse estilo, fiquei ligeiramente decepcionada porque adoraria se ela tivesse falado bem mais sobre esses pontos no livro.

Encontrei alguns errinhos como troca de sexo do personagem (jurava que a Bronwyn era o Bronwyn no começo do livro por conta disso) e outras coisas mais que agora não vou me lembrar com clareza, entretanto não incomodaram tanto por não serem excessivos. O final do livro que é para ser a grande surpresa, foi diferente do que eu havia imaginado, mas não me convenceu 100%. Eu gostaria muito que a autora tivesse usado outra abordagem que ela menciona na história. Enfim, não vou falar muito porque seria um baita spoiler, mas no geral eu gostei da leitura. É um livro que, PRA MIM, poderia ser um pouco menor, porém tenho certeza de que vai agradar muita gente. Com certeza vou querer ler algo mais da autora.

INFORMAÇÕES:
Livro: Um de nós está mentindo
Título original: One of us is lying
Autora: Karen M. McManus
Páginas: 382
Ano de Publicação: 2018
Avaliação: 3 estrelas de 5 (BOM)
Links para compra: Amazon | Americanas | Amazon (exemplar em inglês)
A não ser que um de nós esteja mentindo. O que sempre é uma possibilidade.

19 maio 2018

Uma leitura indispensável | A Lista Negra, de Jennifer Brown

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Eu estava doida para fazer a leitura de “A Lista Negra” não só pelo hype que o livro carrega já faz algum tempo, mas principalmente por me interessar bastante por livros que têm uma carga emocional mais densa e retratam muito bem temas comuns em nossa sociedade, que não são nem um pouco simples. Talvez seja por isso que tenho os livros da Laurie Halse Anderson num espaço especial na minha estante e sempre que penso em livros que realmente me tocaram profundamente, esses vêm à tona.



A Lista Negra” se tornou um desses livros. Não é uma narrativa simples e fácil; é um livro que retrata o bullying e os estilhaços que ele provoca em todos os que estão envolvidos, seja direta ou indiretamente, numa narrativa dolorosa e emocionante. Para quem não conhece, "A Lista Negra" acompanha a história de Valerie Leftman e de seu namorado, Nick Levil, que abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos.

Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas.

Como o livro é narrado em primeira pessoa, acabamos entrando na cabeça da Valerie e enxergando a maior parte das coisas sob a visão dela. E isso não é nem um pouco fácil ou tão simples assim. As coisas que lhe sobrevieram, os relacionamentos familiares, a dor da perda, os questionamentos sobre o caos ao qual a personagem vive são bem densos e retratados com muita delicadeza e propriedade pela autora. Ela consegue emocionar e trazer uma reflexão ao leitor conforme a narrativa vai acontecendo.

Uma das coisas que mais me agradou foi o fato de o livro trazer uma abordagem bem realística sobre como as coisas aconteceram e ficaram após o incidente. Não há coincidências para que o final feche certinho, muito menos acontecimentos amarrados para que todos vivam felizes para sempre. Os personagens possuem seus sentimentos, dilemas, e reações frente ao que está acontecendo que não fogem da realidade.

É difícil falar sobre um livro que a gente gosta tanto. Com certeza indico "A Lista Negra" para todo mundo e pretendo ler outros livros da autora! É o tipo de leitura indispensável, reflexiva e importante. Para quem ama livros nesse estilo, indico: “Garotas de Vidro” e “Fale”, ambos escritos pela Laurie Halse Anderson.

INFORMAÇÕES:
Livro: A Lista Negra
Autora: Jennifer Brown
Número de Páginas: 269 páginas
Publicação: 2015 | Editora Gutenberg
Avaliação: 5 de 5 estrelas (Foi incrível)
Link para compra: na Amazon
Nick odiava aquelas pessoas. E elas também o odiavam. Era por isso. Ódio. Socos no peito. Apelidos. Risadas. Comentários depreciativos. Ser empurrado de encontro aos armários quando algum idiota metido passava. Eles o odiavam e ele os odiava e de algum modo acabou daquele jeito.

10 abril 2018

Um livro mediano que deixa saudade | Uma Prova de Amor, da Emily Giffin

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A última vez em que tive contato com algum livro escrito pela Emily Giffin foi em 2013, quando fiz a leitura de Laços Inseparáveis. Apesar do tempo, eu tinha lembranças de como os livros dela eram: com assuntos do cotidiano, personagens bem construídos e uma história cativante e muito bem escrita. Dessa forma, quando 5 anos depois resolvi ler "Uma Prova de Amor", eu já esperava encontrar uma leitura proveitosa, divertida e emocionante. E, apesar de minha nota final ter sido três estrelas de cinco, posso dizer que, tirando algumas coisinhas, o livro me agradou.




"Uma Prova de Amor" conta a história de Claudia Parr. Ela é uma bem-sucedida editora de Nova York que não pretende ser mãe e até desistiu de encontrar alguém que aceite esta sua escolha. Mas, então, ela conhece Ben. O amor dos dois parece ideal. Ben é o marido perfeito: amoroso, companheiro e — assim como Claudia — também não quer crianças. No entanto, o inesperado acontece: um dos dois muda de ideia a respeito dos filhos. E, agora, o que será do casamento dos sonhos?

Em "Uma Prova de Amor", Emily consegue trazer uma lição muito bacana sobre relacionamentos no geral: entre amigos, família e consigo mesmo; além de mencionar bastante o peso que as promessas que fazemos um ao outro tem. Por ser narrado em primeira pessoa, conseguimos acompanhar todo esse desenrolar da trama de pertinho; o impacto e as consequências que a mudança de posição sobre ter filhos implica no relacionamento deles.

Preciso dizer, fiquei bem curiosa com esse livro e até tive que dar uma espiadinha no final com medo de que a autora tomasse um rumo diferente do que eu esperava hahaha. A escrita da autora consegue cativar; é fluída, envolvente e prende a atenção, apesar de a história não ter tantos momentos emocionantes. Esse é aquele típico livro que pode não agradar todo mundo justamente porque, analisando de maneira mais "fria", o leitor consegue enxergar uma resolução fácil para o plot principal da história. Porém, ainda assim, a autora narra de uma forma verdadeira as decisões e percepções dos personagens. Então, apesar de eu achar que no final das contas, a história poderia ser facilmente resolvida, ainda assim dá pra comprar a ideia do rumo que a autora toma justamente por trazer personagens bem construídos e reais.

Apesar de o livro ter mais de quinhentas páginas, Emily conseguiu prender a minha atenção na maior parte das vezes. Não digo em todas porque, em alguns momentos, a leitura foi um pouquinho mais arrastada, principalmente quando estamos nos aproximando do final querendo que a autora resolva o problema principal da história. Só que não é bem isso que ela faz: Emily decide focar em assuntos secundários que têm a sua relevância, mas que poderiam ter sido diluídos no decorrer dos outros capítulos para trazer uma leveza e tornar a leitura mais fluída. Isso pode ser um ponto negativo pra muita gente, pois se torna, de certa forma, maçante ler todas aquelas páginas quando se quer saber logo o final do livro. E nisso, Emily segura o suspense até as últimas páginas (literalmente).

O livro traz alguns clichês da vida real e resoluções fáceis de final de livro que dão aquele leve desapontamento por não trazer algo que ouse ou fuja do padrão. Uma coisa que me lembro de ter encontrado em outro livro da Emily e acho desnecessário: nem todos os personagens precisam acabar com um par romântico no final do livro (!!!). Isso me incomoda um pouco porque traz aquela sensação de "final de novela" que é bem mediano e, apesar de nos fazer ficar felizes pelos personagens, não impressiona e nem surpreende.

No geral, eu gostei do livro. Gostei da experiência de ler algo da autora e adorei acompanhar o rumo da história. Achei os personagens cativantes e me deixaram com aquela pontada de saudade ao fechar o livro. É claro que, como leitora, adoraria ler um capítulo adicional ou saber mais sobre os personagens após o final, pois nem tudo fica explicadinho. Porém, ainda assim, fiquei com aquela sensação boa dentro do peito, de quando lemos um livro que, apesar de ter seus defeitos, consegue agradar!

INFORMAÇÕES:
Livro: Uma Prova de Amor
Autora: Emily Giffin
Número de Páginas: 410 páginas
Ano de Publicação: 2013 pela Editora Novo Conceito
Avaliação: 3 de 5 estrelas (Bom)
Link para compra: na Amazon
As pessoas procuram conselho de modo seletivo. Elas conversam com pessoas que pensam do mesmo modo, que fazem eco aos seus próprios instintos. Contam apenas o que planejam fazer de qualquer modo.

13 janeiro 2018

Um livro que não é ruim. Mas também não é dos melhores

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O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.




Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?

Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.

MINHA OPINIÃO:

Estava doida para comentar com vocês o que achei de "A Rainha Vermelha" da Victoria Aveyard! O livro faz parte da série "A Rainha Vermelha" e por aqui foi lançado pela editora Seguinte. Antes de tudo, quero deixar claro que essa é a minha opinião sobre a leitura que fiz. Minha avaliação da leitura foi nota 2 de 5 que pra mim é: foi uma leitura OK. Não foi terrível, mas não foi a melhor.

Acho que o principal ponto aqui é que o livro é previsível. Demais. Desde o começo, já dá pra saber de forma clara o papel de cada um na história: quem é o bonzinho, quem é o mal, quem vai trair quem, as intenções dos personagens... Tanto é que o plot twist não funcionou para mim, pois eu já imaginava aquilo desde o comecinho do livro. Ou seja, era para ser surpreendente, mas passou longe disso.

Nesse livro, a autora usou de diversas fórmulas que eu, como leitora, já vi em outros livros. Isso não é problema nenhum, quero deixar claro, pois eu leria um clichê bem escrito tranquilamente. A questão do cliché é que, desde que o autor consiga manejar bem as palavras, cativar/convencer e fazer com que o leitor se importe com a causa principal do livro, pode ser o livro mais clichê que, ainda assim, tem grandes chances de obter uma boa aceitação.

Em "A Rainha Vermelha", além de esse compilado de coisas comuns terem me impossibilitado de cair naqueles momentos que existem para causar sensações de tensão/tristeza/agonia durante a leitura, a cada frase lida vinha aquele pensamento em letras neon de que era óbvio que aquilo não ia acontecer de jeito nenhum porque eu já li coisa semelhante. Não caio nessa. O resultado disso foi que a leitura se tornou extremamente morna e sem grandes acontecimentos. Eu não consegui me importar com muita coisa.

O romance foi outro ponto que me incomodou bastante: não soou convincente. O casal principal não combina, não tem química suficiente para me fazer torcer pelos dois. Eu senti que a autora tentava forçar um lance entre os dois - e me convencer disso, quando o melhor é que o próprio leitor faça esse papel de aceitar a conexão dos dois por ser convencido pelo romance deles. As cenas de amor foram dispensáveis. Era como se os personagens mostrassem um lado que não combinava, não tinha nada do que eles eram na história e o que acreditavam. Nem a amizade dela com o Kilorn e o fato de ela (dizer) se importar tanto com ele (e ok, tomar algumas atitudes a respeito) soou verossímil pra mim.

Falando da Mare, eu a achei extremamente repetitiva. Ao que pareceu, a autora quis criar frases/palavras de impacto para o leitor e, por isso, ficou repetindo a maior parte delas em vários momentos, como uma reflexão/conclusão da personagem. Isso me incomodou taaaaaanto, mas taaaaanto que vocês não tem noção! hahaha

Mare era muito reclamona e, pra mim, pareceu invejosa demais. As justificativas dela sobre não gostar de uma pessoa ou por se sentir injustiçada tiveram uma conotação de inveja enorme. E, por incrível que pareça, a maior parte delas eram direcionadas a mulheres - mesmo tendo homens prateados que estavam na mesma situação dessas mulheres. Ou seja, com os homens tudo bem ser legal, mas com as mulheres não? Isso sem contar que a Mare, em suma, fica rodeada de homens 24 horas. Praticamente não há interação com outra mulher que possa ser uma amiga. Eu entendo o panorama ao que ela está submetida e como funciona o mundo. Eu sei. Mas por que pode haver homens prateados que são gente boa e mulheres não?

Não é que eu odiei o livro. A ideia é interessante, a autora criou um mundo, estruturou algumas coisas, porém a execução deixou a desejar. Eu esperava mais, muito, muito mais desse livro que até tem potencial. Fiquei tão frustrada com essa leitura que, honestamente, não sou capaz de dizer no momento que leria o próximo. O livro que tem notas consideráveis no Skoob e no Goodreads, uma capa linda e uma divulgação ótima. Mas não funcionou tanto assim pra mim...

Definitivamente não é ruim. Mas também não é dos melhores.

INFORMAÇÕES:
Livro: A Rainha Vermelha
Livro 1 da série A Rainha Vermelha
Autora: Victoria Aveyard
Número de Páginas: 414 páginas
Ano de Publicação: 2015 pela Editora Seguinte
Avaliação: 2 de 5 estrelas (foi OK)
Link para compra: na Amazon
"Há muito tempo ele nos chamou de formigas, formigas vermelhas ardendo sob a luz de um sol prateado. Destruídas pela grandeza dos outros, quase derrotadas na batalha pelo nosso direito de existir, porque não somos especiais. Não evoluímos como eles, que têm poderes e forças além da nossa imaginação limitada. Permanecemos os mesmos, presos em nossos corpos. O mundo mudou ao nosso redor e permanecemos os mesmos"