sexta-feira, abril 07, 2017

O que eu achei de "Convergente" da Veronica Roth



Eu estava bem empolgada para fazer a leitura de Convergente. Desde que acompanho a trilogia, vejo que o terceiro livro é quase um divisor de águas: ou as pessoas gostam, ou as pessoas odeiam. Lógico que isso não se aplica a todo mundo, mas é só dar uma olhada nas notas do Goodreads ou Skoob que dá pra ter uma ideia e impressão de que a série foi "decaindo" com o passar do tempo na opinião da maioria das pessoas. Então, era claro que eu estava curiosa para fazer a leitura de Convergente.

Não foi uma leitura muito fácil, devo dizer. Primeiro porque logo no começo, Veronica Roth nos conduz a descobertas completamente diferentes de tudo o que havíamos ouvido falar desde o começo da história. Além da cerca não tem nada de facções. Na verdade há outra forma de categorizar as pessoas: os geneticamente danificados e geneticamente puros (ou GD e GP, respectivamente). Os conflitos que acompanhamos no último livro são deixados um pouco mais de escanteio e descobrimos um universo muito maior envolvendo os personagens de Divergente, e a verdade sobre as facções.

Quanto a esse outro lado que a história é levada, eu tive bastante dificuldade de me encaixar. Achei a história bem cansativa e maçante porque nada de tão interessante acontecia. Eu sempre espero que um último livro de trilogia, série, etc, tenha um algo a mais, sabe? Acontecimentos muito mais impactantes do que os livros anteriores, muito mais ação... E quando vi que já havia passado cerca de metade do livro e nada que me prendesse à história havia acontecido, me senti um pouco frustrada e deixei o livro de lado, disposta a abandonar. Porém, depois de pensar por um tempo, como eu já havia passado da metade, resolvi retomar. E, posso dizer que da metade para frente tive várias surpresas: umas boas e outras nem tanto.

Para quem não sabe, Convergente é narrado por dois personagens. Então temos um capítulo sob a visão da Tris e outro capítulo sob a visão do Quatro. Às vezes temos mais de um capítulo em sequência na visão de um dos dois, de acordo com a necessidade da história. Dito isso, preciso considerar que entendo o que as pessoas falaram sobre o fato de a narração do ponto de vista dos dois ser muito similar e, por vezes, as pessoas terem se perdido, sem saber se era o Quatro narrando ou a Tris. Aconteceu isso comigo algumas vezes e eu tive que voltar para o começo do capítulo só pra confirmar se aquela parte era narrada sob a visão da Tris ou do Quatro.

Mas talvez isso não seja culpa apenas da autora. Comentei com alguém que, como essa é a primeira vez que estamos sabendo de tudo pela visão do Quatro, talvez nós esperávamos que por externar um cara mais durão, em seu íntimo ele fosse dessa forma também. O que não é bem o que lemos. Bem, em partes. Mas também é compreensível ele ser assim (de certa forma), considerando que ele, assim como a Tris, passou por muitas coisas que podem tê-lo abalado e mudado muito do que ele fora outrora.

Sobre a Tris, devo dizer, acho que ela foi uma das pessoas que mais sofreram somando os três livros rsss. Não sei se vocês também sentiram isso, mas para mim, parecia que ela estava saturada, sabe? Cansada, esgotada com tudo o que vinha acontecendo. Todas as vezes que lia algo dela, a achava meio triste. Não sei. Como se ela tivesse um peso enorme nas costas que foi se acumulando nos livros. O relacionamento dela com o Quatro também passa por muitos conflitos e não é aquele ~~mar de rosas~~ como em muitos livros. Na verdade, há mais conflitos do que cenas amorosas e eu só não achei isso tão ruim porque tirando alguns momentos, eu tive a impressão de que a autora não quis puxar pelo lado romântico de um relacionamento, mas algo mais real (?).

Quanto ao final dado à pessoa que está sob o comando de Chicago, eu achei escrito de maneira bem desleixada. (SPOILER)(SPOILER)(SPOILER) Foi um conflito que durou mais de um livro e foi resolvido com uma simples conversa de dois segundos. Então, nesse caso, não acho que um conflito de comunicação fosse suficiente para explicar as coisas. (/SPOILER)(/SPOILER)(/SPOILER) Até porque, esse ponto era muito específico do livro e ganhou um grande enfoque na história. A impressão que eu tive foi que a Veronica decidiu tomar a saída mais fácil nesse caso.

Em relação ao final do livro, não achei que foi tão ruim. Na verdade, a forma como aquilo aconteceu (para mim) não agradou, mas o fim em si poderia ter sido o mesmo. Acredito que se aquilo tivesse acontecido de uma outra forma, faria muito mais sentido e não decepcionaria tanto.

Para mim, foi uma leitura 4 estrelas de 5. A trilogia pode não ser a melhor do mundo, na minha opinião, mas foi algo que me entreteve e que gostei bastante de acompanhar.

INFORMAÇÕES:
LIVRO: Convergente
AUTORA: Veronica Roth
EDITORA: Rocco
PÁGINAS: 519
AVALIAÇÃO: 4 de 5 estrelas
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